Cabe uma analogia trivial, mas bem elucidativa. Imagine um barco já cheio d’água devido a um buraco em seu casco. Para se evitar que afunde, deve-se iniciar o bombeamento imediato da água para fora do barco. Ora, se tal iniciativa não reconhecer que, à medida que retiramos água do barco mais água brota pelo buraco, não lograremos êxito na empreitada com os menores custos possíveis. Portanto, temos que, se não for possível eliminar tal buraco, iniciar um processo de redução do mesmo, concomitantemente com o bombeamento da água para fora do barco. Pois bem, a água seria análoga às informações de baixa qualidade e o buraco análogo aos processos que geram dados e informações.
Não devemos nos concentrar apenas na correção dos dados mas, principalmente, na reengenharia dos processos geradores de informação. De fato, os empreendimentos de maior sucesso nesse mister dedicam 65% dos esforços e recursos à prevenção, melhoria dos processos, e apenas 35% à correção dos dados e informações. Adicionalmente, as ações de prevenção ou correção devem se dar o mais próximo possível da origem, da causa do desvio de qualidade na cadeia de valor no processo produtivo de cada elemento de dado ou informação.
A chave para o sucesso neste último tópico é desafiar o “status quo”. A terceira fase, “Mudança da Cultura existente”, visa a implementar, estimular e consolidar um ambiente calcado em princípios, processos e práticas que valorize, persiga e professe a Qualidade de Informação como uma alavanca para a consecução dos objetivos da organização (dos knowledge workers), dos fornecedores e dos clientes - enfim, dos clientes do Produto Informação.
Como fazer isto?
Através da integração dos valores, princípios e métodos de Gestão de Qualidade da Informação na cultura da organização. Através da mudança para um sistema de valores que coloque os processos de geração de informação a serviço dos objetivos dos Clientes da informação, internos e externos; que enfatize a prevenção e não a correção de erros.
Ou seja, que pratique uma cultura cujos valores, postura mental e hábitos dos participantes focalize na melhoria contínua dos processos que geram informações e negócios.
Recentemente, o Gartner postulou que “a ênfase em liderança de TI está mudando do "T" para o "I" — de tecnologia para informação, processos e desempenho de negócios”. Portanto, devemos nos concentrar não na tecnologia, mas na gestão da informação.
No grande guarda-chuva da Data Governance - assunto que merece uma abordagem em separado - a TI faz o papel importante de depositário dos dados enquanto o pessoal de negócio, antigamente chamados de “usuários” - sugerimos como escrevi acima, que sejam chamados de clientes - deve liderar a gestão da informação, os comitês de Data Governance. Assim, o Produto Informação terá mais chance de efetivamente alavancar os negócios. Dessa forma, as decisões poderão ser baseadas em métodos científicos para fazer face à complexidade crescente neste mundo conectado e não serão uma ficção científica porque estarão baseadas em dados e informações que registram e derivam dos fatos do mundo real dos negócios.
Parafraseando Deming, um dos gurus do TQM - Total Quality Management – junto com nosso Cazuza, “suas idéias não precisam corresponder aos fatos já que a sobrevivência das organizações não é compulsória”.
Luiz Pizani (lpizani@phdbrasil.com.br) é Ph.D. em Computer and Information Science pela Case Western Reserve University, Cleveland, Ohio, USA. É palestrante e consultor de Dados para Negócios, com diversos projetos no setor financeiro e no setor estatal, com 38 anos de experiência em TI. Antes de iniciar a PHD Brasil, exerceu funções técnicas e gerenciais na Light, Serpro, Datamec, Bolsa de Valores, Comissão Nacional de Energia Nuclear, IBGE e CNPq.
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